O gestor do fundo Fortify.vc Eric Ayala, que está no Brasil em busca de startups, acredita que paixão e conhecimento do mercado ajudam a conquistar investidores.
Eric Ayala faz parte da categoria de profissionais que, caso você tenha a oportunidade, vale muito a pena sentar para um bate-papo. Afinal, poucas pessoas no mundo possuem duas saídas bilionárias (um IPO e uma aquisição) em seu currículo. Desde janeiro, Eric está morando em São Paulo, buscando os novos talentos brasileiros para serem investidos pelo seu fundo, o Fortify.vc.
Para nossa sorte, tive a oportunidade de bater um papo com ele durante sua visita ao Start-Up Chile e fazer uma pequena entrevista.
WebHolic: O que o fez vir para o Brasil?
Eric: Antes de vir ao Brasil estive em vários países em desenvolvimento, China, Rússia, Índia, Singapura, e outros, e estava procurando um país em que teria muito para trabalhar. Por exemplo, na China, grande parte de desenvolvimento já estava feita, em termos de tecnologia e infraestrutura, mas o que encontrei no Brasil foi uma característica particular: a infraestrutura tecnológica ainda tem muito que evoluir (a penetração de smartphones é apenas de 12% e a penetração de internet não é das maiores também). Isso indica um grande potencial de crescimento no país, principalmente se levarmos em consideração a quantidade de usuários em redes sociais, já que o Brasil é o segundo país com mais usuários no Facebook e Twitter, além de quase dominar também o Tumblr. Esses foram os indicadores chaves para mim.
WH: E qual é a maior dificuldade nesse período que esteve aqui?
Eric: Venture Capital é muito mais difícil porque nos Estados Unidos temos guidelines exigentes a seguir, somos muito limitados no que podemos ou não fazer. Quando começamos a atuar em outro país, encontramos dificuldade, pois temos que lidar com muitas outras coisas que não entendemos a princípio, como leis, estruturas de impostos, esse tipo de coisa. O país não facilita para investidor trazer e levar dinheiro. Entender como o Brasil funciona tem sido um desafio. O que torna mais difícil é que muitas pessoas do próprio país não entendem como funciona, ao conversar com várias empresas de consultoria jurídica, cada uma me dava uma resposta completamente diferente da anterior. É complicado entender os veículos de investimento, como LTDA e S.A., não existe uma estrutura comum que funciona para todos. A maior dificuldade é não ter uma resposta definitiva.
WH: Quais são as principais diferenças entre as startups brasileiras e as startups do Vale do Silício?
Eric: A principal diferença é que as startups do Vale do Silício geralmente possuem mais experiência. As discussões que você tem com eles são mais profundas em relação à indústria, porque eles conhecem a indústria muito bem. Na América Latina, eu percebi que muitas pessoas começam seus negócios e não possuem experiência neste setor. Estar em uma startup é a experiência dos residentes do Vale, eles saem da faculdade e sua primeira experiência de trabalho é exatamente em uma startup. Eles não só aprendem sobre a indústria, mas também aprendem sobre o próprio negócio.
WH: Qual é a característica chave para um empreendedor ter sucesso?
Eric: Paixão é, sem dúvida, uma das características mais importantes para o empreendedor, porque se você ama o que faz você se empenha muito mais que sua concorrência. Você não precisa dormir, não precisa sair com os amigos, você fará apenas uma coisa, que é focar no seu projeto. Na minha primeira startup, eu não precisava dormir, eu dormia na minha mesa três dias por semana, sem problema, porque eu tinha paixão por aquilo que fazia. E é isso que queremos em um empreendedor, porque nós podemos ensinar muito pela nossa experiência e dar muitos conselhos, mas paixão não é uma coisa que podemos ensinar.
WH: Qual é a dica mais importante que você pode dar para alguém que queira levantar investimento com você? Seria paixão?
Eric: Para levantar capital, paixão é importante, mas eu daria uma dica mais específica: conheça o seu mercado. Porque alguns VCs são generalistas e alguns são especialistas, alguns focam em apenas um mercado, como o setor de viagens, por exemplo. É tudo o que eles fazem, e eles sabem muito bem o que estão fazendo. Então é muito satisfatório conversar com alguém que possa descrever para nós a indústria e o mercado nos mínimos detalhes, isso inspira confiança. Nós pensamos: “Ok, não somos especialistas nisso, mas ele é. Nós podemos oferecer outras coisas, como suporte financeiro, contatos, etc.”
Vitor Peçanha
Fonte: http://exame.abril.com.br/pme/startups/noticias/apaixone-se-pela-sua-startup-diz-eric-ayala acesso em 13 de setembro de 2012.
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